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   DISTÚRBIOS ALIMENTARES: COMO RECONHECÊ-LOS ?
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Por: Dra. Manuela Ibi

Os problemas de “transtornos alimentares” têm aumentado em todo o mundo. A anorexia nervosa atinge cerca de 1% das adolescentes, a bulimia prevalece em 1 a 19% das adolescentes e mulheres jovens e um número não determinado sofre de “distúrbios alimentares não específicos”. Estes problemas atingem meninas (e meninos) de todas as classes sócio-econômicas, raças e culturas ao redor do globo e se alastram desde crianças de 6 anos (de ambos os sexos) até adultos. (1-4)

Os transtornos alimentares são síndromes complexas nas quais as interações entre fatores ambientais, psicológicos e fisiológicos criam e mantêm o comportamento alimentar perturbado.

Aumentou-se muito o risco do desenvolvimento da anorexia e da bulimia, pois tudo relacionado com o ideal de beleza - regime, exercícios físicos e cirurgias plásticas – está sendo muito bem mostrado para a população.

Emagrecer a qualquer custo é característica da sociedade moderna que encontra na contradição o seu maior estigma: nunca se comeu tanto e de maneira tão errada, assim como nunca houve tanta preocupação em se perder peso. Essas doenças muitas vezes ocorrem por influência da sociedade que tem como padrão a magreza dos modelos. Os anoréticos, comparando-se com os modelos, distorcem muitas vezes a imagem de seu corpo achando que estão acima do peso esperado para sua altura e idade, querendo chegar ao padrão das mesmas que é o ideal para boa parte da sociedade e para os próprios pacientes. O prazer de comer não existe, ou melhor, existe, mas está sendo reprimido pela vontade imensa de perder peso, pois o paciente está sendo, em sua mente, obrigado a atingir um corpo ideal que a sociedade escolheu como padrão.

Esses distúrbios alimentares diretamente relacionados com o lado psicológico têm de um lado os pacientes com anorexia nervosa perdendo peso exageradamente, e de outro lado pacientes com bulimia nervosa que ingerem energia em excesso. Pesquisas norte-americanas revelam que a bulimia e a anorexia têm nas mulheres 90% de seu alvo. A bulimia nervosa é um medo exagerado de engordar, compulsão por comer e depois eliminar a comida através do que ficou conhecido por “práticas compensatórias”.

A anorexia nervosa é uma avaliação equivocada da própria imagem corporal, medo exagerado de engordar e recusa a continuar a comer. A estes dois transtornos alimentares mais conhecidos, somam-se a “síndrome da ingestão noturna” (distúrbio caracterizado pela ingestão de alimentos, predominantemente, à noite), a “síndrome do banquete” (problema moderno causado por dietas muito rígidas, seguido da perda de controle destas restrições e comer compulsivo) e a “síndrome do transtorno alimentar pré-menstrual” (come-se mais durante a segunda fase do ciclo menstrual e está ligado à TPM).

A melhor solução para contornar este problema é o rápido reconhecimento do comportamento associado ao transtorno alimentar. Aqui estão algumas características de comportamento que os pais, família, professores de escola etc. podem observar nas crianças e adolescentes com transtorno alimentar:

SINAL VERMELHO DE ALERTA

- uma mudança repentina para o vegetarianismo, como um meio de cortar grupos de alimentos, gorduras ou calorias;
- roupas que de repente ficam mais largas;
- tempo demais no banheiro, principalmente após refeições, com evidência de vômitos no banheiro ou em outros lugares;
- uma queda de peso notada em casa, escola, no consultório médico ou da nutricionista;
- diminuição do incremento apropriado de peso na fase de crescimento da criança;
- cortar alimentos em pedaços muito pequenos ou brincando com comida mais do que comendo;
- obsessão por comida, calorias, gramas de gorduras ou exercícios físicos;
- culpa exagerada quando não faz exercício por um dia;
- “sou tão gorda” repetido com freqüência pra si mesma ou outros ao redor;

Tratar crianças e adolescentes com problemas de transtorno alimentar envolve uma equipe multidisciplinar formada por médico, nutricionista, psicólogo e/ou psiquiatra entre outros e em muitos casos deve-se recorrer ao uso de medicamentos. A família precisa de apoio terapêutico e a criança deve ter seu tratamento individualizado e baseado em suas necessidades.A criança ou adolescente deve se sentir acolhida emocional e psicologicamente por toda a equipe, perceber que está sendo compreendida em seu problema e assim estabelecer um vínculo de confiança e aceitação do tratamento proposto.

A equipe deve evitar discutir pesos e números com o paciente, encorajando a diversificação de alimentos e evitando que a criança ou adolescente veja seu peso na balança.Alimentos temidos devem ser incorporados devagar e deve-se evitar contar calorias ou gramas de gordura.

Todas estas questões devem ser abordadas e discutidas com os pais que receberão todas as orientações específicas dos profissionais de como conduzir da melhor forma o tratamento de seu (sua) filho (a). Prevenir ou reconhecer precocemente um transtorno alimentar como bulimia ou anorexia nervosa melhora as chances de recuperação da criança ou adolescente.

Referências:

1. Committee on Adolescence. American Academy of Pediatrics. Identifying and treating eating disorders. Pediatrics, 2003; 111: 204-211.

2. Rome ES, Ammerman S, Rosen DR, Keller RJ, Lock J, et al. Children and adolescents with eating disorders: The state of the art. Pediatrics 2003; 111: e98.

3. Kreipe RE. Eating disorders among children and adolescents. Pediatrics Rev 1995;16: 370-379.

4. Becker AE, Grinspoon SK, Klibanski A, Herzog DB. Eating disorders. New Engl J Med 1999; 340: 1092-1098.

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