Pesquisa do Idec constata:
Adoçantes e bebidas "light" desrespeitam o Código de Defesa do Consumidor
Nos últimos 13 anos, o setor de edulcorantes cresceu 1.875% , movimentando em 2003, US$ 3 bilhões. Ou seja, 35% dos lares brasileiros consomem algum tipo de produto light ou diet, sendo mais freqüentes os adoçantes de mesa, refrigerantes e sucos
Pesquisa do Idec constatou que adoçantes e bebidas light ou diet desrespeitam o Código de Defesa do Consumidor (CDC) ao não divulgarem a informação de risco à saúde ao consumidor em suas embalagens. Em todos 24 adoçantes de mesa analisados, nenhum deles trazia a comunicação sobre o limite de consumo diário. O mesmo ocorreu com 25 bebidas dietéticas e 4 sucos em pó convencionais.
O grande risco está no fato de o consumidor ultrapassar a IDA (Ingestão Diária Aceitável) do edulcorante sem saber.
Proibido nos Estados Unidos, mas utilizado no Brasil, o ciclamato sódico pode comprometer a saúde do consumidor, pois há indícios de que seja responsável por alterações genéticas e atrofia testicular. O produto é contra-indicado para hipertensos e portadores de problemas renais. No Brasil, ele é encontrado em vários refrigerantes como Coca-Cola Light Lemon, Sprite Zero, Dolly Guaraná Diet, Guaraná Diet, Soda Limonada Diet Antarctica, entre outros.
A gravidade acontece justamente porque o consumidor pode ultrapassar facilmente a IDA, como nos exemplos a seguir:
Se uma criança (de 30kg) consumir 1 lata de Sprite Zero, já excedeu o seu limite diário de ciclamato. O mesmo ocorre se um homem (70kg) consumir 2,8 latas de Coca-Cola Light Lemon ou se uma mulher (55kg) consumir 2 latas de Dolly Guaraná ou Limão Diet.
Sugestões aos consumidores:
O mais importante é reduzir a ingestão de açúcar e adoçantes e apreciar o sabor natural dos alimentos;
Consultar sua nutricionista quanto à utilização de edulcorantes, especialmente durante a gravidez;
Calcular sua ingestão diária para cada edulcorante, conforme a fórmula apresentada, jamais ultrapassando a IDA recomendada para cada uma dessas substâncias;
Diversificar o uso de edulcorantes como forma de evitar reações adversas decorrentes de possíveis acúmulos no organismo;
Verificar se os adoçantes de mesa e/ou alimentos consumidos contém edulcorantes não recomendados para sua condição de saúde (hipertensão arterial, diabetes, fenilcetonúria, etc.);
Dar preferência às marcas de alimentos e/ou adoçantes de mesa que informam as quantidades de edulcorantes utilizadas.
Principais edulcorantes (adoçantes artificiais):
Aspartame (artificial/não calórico) - É contra-indicado aos portadores de uma deficiência rara, a fenilcetonúria, na qual o organismo é incapaz de metabolizar a fenilalanina, e que pode ser detectada após o nascimento da criança pelo chamado "teste do pezinho". Por isso, é obrigatória a advertência no rótulo dos alimentos com aspartame, em destaque e em negrito: contém fenilalanina.
Pesquisas científicas atestam a segurança do aspartame, desde que consumido dentro dos limites estabelecidos. Por outro lado, existem outras fontes que o consideram inseguro para a saúde. Recentemente, a European Ramazzini Fundation of Oncology and Environmental Sciences (ERF), instalada na Itália, divulgou um estudo feito com 1.800 ratos mostrando que o aspartame é um agente cancerígeno. Três entidades emitiram notas afirmando que os estudos divulgados não são conclusivos: a européia European Food Safety Authority (EFSA), a norte-americana Food and Drugs Administration (FDA) e a Anvisa.
Ciclamato sódico (artificial/não calórico) - Aprovado em diversos países, inclusive no Brasil, mas não nos Estados Unidos. Uma das suspeitas é que a substância causaria tumores em ratos. Em 1985, novos estudos concluíram que o edulcorante não era cancerígeno, mas os EUA não o libera, baseado em relatos de alterações de pressão sanguínea. O edulcorante seria responsável também por alterações genéticas e por atrofia testicular. Cinqüenta vezes mais doce que a sacarose (açúcar), é contra-indicado para hipertensos e portadores de problemas renais.
Sacarinas (artificial/não calórico) - Sódica ou cálcica, a primeira substância adoçante sintética a ser descoberta (1878), tem poder adoçante 500 vezes maior do que a sacarose e também não é indicada para hipertensos e doentes renais. Também é suspeita de provocar câncer e quase foi proibida para uso nos EUA em 1977.
Acessulfame-k (artificial/não calórico) - Adoça 200 vezes mais que a sacarose e é igualmente desaconselhável para hipertensos e portadores de doenças renais.
Sucralose (artificial/não calórico) - Esse adoçante possui um sabor agradável e não tem contra-indicações.
Steviosídeo (natural/não calórico) - É a melhor opção para quem deseja manter a dieta. É extraído da planta Stevia Rebaudiana, originária da fronteira do Brasil com o Paraguai. Não possui contra-indicações, mas deve ser consumido com moderação pois pode elevar a taxa glicêmica e provocar diarréia. Seu poder adoçante é 300 vezes maior do que a sacarose.
Lactose (natural/calórico) - Carboidrato extraído do leite, é bastante utilizado como diluente nos adoçantes líquidos ou como veículo nos adoçantes em pó. Pessoas com intolerância à lactose devem evitá-lo, mas ele não oferece riscos a diabéticos.
Frutose (natural/calórico) - Extraído do açúcar das frutas, de alguns vegetais e do mel, pode ser consumido por diabéticos, sob orientação médica, mas é desaconselhado para regimes de emagrecimento por ser calórico. O consumo em excesso pode elevar os triglicérides e dificultar a absorção do cobre, importante na síntese da hemoglobina.
Sorbitol (natural/calórico) - Tem o poder de adoçar igual ao da sacarose e se transforma em frutose ao ser ingerido. Desaconselhável para pessoas obesas e diabéticos que não controlam bem a dieta. Assim como o manitol e o xilitol, pode acarretar perda de cálcio pelo organismo, entre outros minerais, favorecendo a formação de cálculos.
Manitol (natural/calórico) - Adoça 70% mais que a sacarose. Em doses excessivas pode funcionar como laxante. Para diabéticos não oferece riscos.
Xilitol (natural/calórico) - Tem sabor muito parecido ao da sacarose e é recomendado na prevenção de cáries, mas nas primeiras ingestões, pode causar diarréia.
Maltodextrina (natural/calórico) - Extraído do milho, é mais usado como diluente nos adoçantes artificiais. Adoça 50% mais que a sacarose.
Dextrose (natural/calórico) - Também derivado do milho e muito usado em alimentos dos mais variados tipos. Adoça 70% mais que a sacarose.
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