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   SAL, GORDURA E FAST FOOD
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Fonte: Revista do Idec

Se você não consegue resistir à tentação da comida rápida, confira as informações nutricionais de alguns dos lanches oferecidos pelas mais representativas redes do país, e algumas conseqüências da sua ingestão para a saúde

Atraídos pelo sabor, pela praticidade, conveniência e até pelo preço, são muitos os brasileiros que baseiam sua dieta em hambúrguer, batata frita e refrigerante. A Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2002-2003 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) prova que a população tem feito refeições de forma errada: 38,8 milhões de brasileiros adultos têm excesso de peso, sendo que 10,5 milhões são considerados obesos.

Os alimentos trash (lixo, em inglês) são os principais responsáveis por essa realidade. Com elevada densidade energética, grande concentração de gorduras e carboidratos, e ausência das principais vitaminas e fibras, eles podem provocar ganho de peso e uma série de problemas cardiovasculares quando consumidos rotineiramente.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o padrão nutricional recomendado para a ingestão diária de quilocalorias (kcal) está em torno de 55% a 75% de carboidratos, 10% a 15% de proteínas e entre 15% e 30% de lipídios (gorduras). A dieta diária deve somar em torno de 2.000 kcal para um adulto, e 1.800 kcal para uma criança.

Para ter uma idéia das conseqüências de se comer em fast food, uma única refeição no McDonald's, por exemplo, em que o consumidor escolha o lanche Quarteirão com queijo e peça uma porção grande de batatas fritas, alcança 98% da quantidade de gordura que o organismo pode ingerir diariamente. Se a opção for pelo lanche Big Tasty, não é necessário nem o acompanhamento: apenas o sanduíche possui 55 g de gordura, o que corresponde a 100% da ingestão diária recomendada.

Comer rápido esporadicamente, entretanto, não traz nenhum malefício para o organismo. De acordo com os nutricionistas do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP) o problema é o fast food substituir a refeição normal. "Não há um alimento vilão, assim como não há um completo.

Nosso organismo necessita de gorduras, pois esse nutriente faz parte dos tecidos nobres, como os do cérebro. Precisamos apenas tomar cuidado com a quantidade: até 30% das calorias da dieta devem proceder de lipídios, com um máximo de 7% de gordura saturada e até 1% de gordura trans [correspondente a 2,2 g]", esclarecem.

Os nutricionistas afirmam que quando o organismo excede a quantidade máxima indicada de gorduras "pode ter alteração do nível do colesterol e dos triglicérides no sangue - com alta do colesterol total e do colesterol ruim (LDL) -, ganhar peso e aumentar seu risco de doenças cardiovasculares".

Um problema não menos importante é a grande quantidade de sódio (sal) na comida. O hambúrguer Chicken Whopper, da rede Burger King, por exemplo, tem 1.410 mg de sódio, o que equivale a 59% do máximo recomendado por dia. No McDonald's, o lanche com mais sal é novamente o Big Tasty, com 64% do valor diário.

O excesso de sódio pode levar à hipertensão arterial, provocando doenças cardiovasculares. Também pode promover retenção de líquidos no organismo, causando desconforto, principalmente às mulheres.

POR DENTRO DO ALIMENTO

"Apesar de não ser obrigatório por lei, acredito que os fast foods devem deixar a informação nutricional disponível, para que as pessoas possam identificar o que estão comendo", afirmam os nutricionistas. Os restaurantes que não têm tabelas nutricionais expostas ou a informação em cada alimento devem ao menos informar os valores quando o consumidor pedir.

Com relação aos acompanhamentos, o ideal é trocar a batata frita e o refrigerante por salada e suco. O simples acréscimo de batatas eleva em 10 g ou 20 g a quantidade de gorduras totais da refeição.

Um estudo publicado no New England Journal of Medicine em abril deste ano mostrou que lanches vendidos em redes como McDonald's e KFC têm grande variação de gorduras trans, dependendo da região analisada. Foram pesquisados os níveis de gordura trans nas batatas fritas e nos empanados de frango das duas redes em vinte países. Na Dinamarca, por exemplo, menos de 1 g da composição das batatas era de gorduras trans. Já em Nova Iorque, a quantidade chegava a 10 g por porção. Pelos cálculos feitos pelo IDEC a partir dos dados fornecidos pelo McDonald's do Brasil, a variação fica entre 3 g (porção pequena) e 5,9 g (grande). As quantidades são perigosas quando se considera o máximo que deve ser ingerido por dia: 2,2 g. O estudo indica que o consumo excessivo de gordura trans aumenta em 25% os riscos de doenças do coração.

Ao pedir um refrigerante, o consumidor está livre das gorduras, mas não das calorias: uma coca-cola de 500 ml, por exemplo, acrescenta 200 kcal à dieta.

O IDEC resolveu solicitar a cinco redes de fast food espalhadas pelo Brasil - Bob's, Burger King, Giraffas, Habib's e McDonald's - a tabela nutricional de seus lanches. Confira a seguir as características nutricionais de alguns dos lanches oferecidos por cada uma delas:

BOB’s: Uma das escolhas mais calóricas é o Big Bob, que tem 631 kcal, 38 g de gorduras totais (69% do valor diário), 8 g de saturada (36,5%) e 88% do sódio que pode ser ingerido diariamente: 2.113 mg. Uma opção menos ruim é o Cheeseburger, que corta em mais da metade a quantidade de calorias e de gorduras totais, com 314 kcal e 14 g, respectivamente. A quantidade de gordura saturada também diminui muito nesse lanche, comparativamente ao Big Bob, assim como a quantidade de sódio, que cai para 1.144 (48% da recomendação diária).

Burger King: A opção mais calórica e cheia de lipídios é o Original Whopper, que tem 700 kcal e 42 g de gorduras totais (77% da ingestão recomendada). O lanche tem 60% do total de gorduras saturadas e 50% do total de gorduras trans que podem ser ingeridos por dia. Com relação ao sódio, a quantidade também é generosa: 1.020 mg (42,5% do valor diário).

É interessante ressaltar o quanto condimentos como maionese pioram a qualidade nutricional dos lanches. O mesmo Original Whopper, sem maionese, passa a ter 540 kcal e 24 g de gorduras totais - metade do que apresenta quando tem maionese. Uma das escolhas menos prejudiciais é o hambúrguer Salada de Frango Grelhado, que em uma porção de 344 g possui apenas 210 kcal e 7 g de gorduras totais (13%), sendo 3 g de saturadas (13,6% da recomendação diária). O lanche não contém gorduras trans.

Giraffas: A rede de comida rápida informou apenas a densidade calórica de seus alimentos, e por esse motivo a escolha só pode ser orientada com relação à quantidade de calorias dos lanches. As opções mais calóricas são o Tri Pecado e o Tri Possante (que incluem lanche, refrigerante e batata frita média), com mais de 1.000 kcal cada, ou seja, mais de 50% do recomendado. A opção menos calórica é o Tri Dog, que possui 638 kcal, 31,9% do total diário.

Habib's: As piores escolhas para a saúde são o Double Habib's - que em uma unidade de 275 g traz 53 g de gorduras totais (praticamente 100% do recomendado) e um valor muito alto de sódio: 1.970 mg, equivalente a 82% do total diário -, e o Beirute - que possui 930 kcal, 52 g de gorduras totais e 25 g de gorduras saturadas (3 g a mais do que o indicado por dia). Uma opção intermediária é o Bib's Burger Cheese, hambúrguer de carne bovina e queijo cheddar derretido, que tem 350 kcal (17,5% do valor diário), 18 g de gorduras totais e 8 g de saturada, além de reduzir bastante a quantidade de sódio, que fica em 1.080 mg (45% do total). O Bib's Burger é a escolha menos ruim, com 300 kcal, 15 g de gorduras totais (27% do valor diário), 6 g de saturada e 1.020 mg de sódio - 2,5% menos que o lanche acrescentado de queijo cheddar.

McDonald's: No McDonald's, a diferença entre os lanches é tão gritante quanto nos outros restaurantes. O Big Tasty, por exemplo, contém 55 g de gorduras totais e 1,7 g de gorduras trans (praticamente 80% do valor diário), enquanto o Hamburger possui apenas 9,3 g de lipídios totais e 0,3 g de gorduras trans (cerca de 14% do indicado).

Com relação às gorduras saturadas, o vencedor ainda é o Big Tasty, que ultrapassa os 22 g diários, chegando a 109% do recomendado (24 g). O Hamburger fica com 4,1 g de gordura saturada (19% do valor diário). Em calorias e sódio, o Big Tasty sai novamente na frente, muito acima dos outros lanches: enquanto o Big Mac tem 504 kcal e 1.023 mg de sódio, o sanduíche com 150 g de carne bovina e três fatias de queijo ementhal possui 843 kcal (42% da recomendação diária) e 1.543 mg de sódio (64%).

Quando a opção for por um hambúrguer de frango, o consumidor deve tomar cuidado: a fritura do Crispy Chicken, por exemplo, eleva de 21 g para 28 g as gorduras totais, comparativamente ao Chicken Grill, além de aumentar em quase 2 g as gorduras saturadas. Com o sódio não é diferente: o grelhado apresenta 908 mg de sódio, contra 1.276 mg do Crispy Chicken. A tabela nutricional que acompanha a batata frita média contém informação incorreta em relação ao percentual de sódio do acompanhamento: 184 mg de sal equivalem a 7,6% da ingestão diária recomendável, e não 0%, como está impresso na embalagem.

Entenda o rótulo:

Gorduras totais: São as principais fontes de energia do corpo e ajudam na absorção das vitaminas A, D, E e K. Referem-se à soma de todos os tipos de gordura encontrados em um alimento.

Gorduras saturadas: Presentes em alimentos de origem animal, como carnes, bacon, pele de frango, queijos, leite integral, manteiga, requeijão, iogurte. O consumo desse tipo de gordura deve ser moderado, porque em grandes quantidades pode aumentar o risco de doenças do coração.

Gorduras trans: Encontradas em alimentos industrializados como margarinas, cremes vegetais, biscoitos, sorvetes, salgadinhos de pacote, produtos de panificação, alimentos fritos e qualquer alimento que utilize em sua preparação gorduras vegetais hidrogenadas. Seu consumo deve ser muito reduzido, porque em grande quantidade aumenta o risco de doenças do coração. Não se deve ingerir mais que 2 g dessa gordura por dia.

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