A obesidade é uma das doenças nutricionais que mais cresce no mundo, atingindo todos os tipos de população e faixas de idade.
Um estudo do Dr Mauro Fisberg (1), pediatra especialista em metabologia e obesidade infantil, reconhecido mundialmente, realizado na cidade de Santos envolvendo 10821 escolares, entre 7 e 10 anos de idade, revelou que 15,7% dos que estudavam na rede pública e 18,0% na rede privada, estavam com sobrepeso ou obesos.
Segundo o IBGE, na última Pesquisa Orçamentária Familiar (POF), de 2003, a proporção de crianças obesas e desnutridas encontrava -se em 3:2 (3) e dados da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) revela um aumento de 240% de obesidade na infância e adolescência brasileira nos últimos 20 anos.
Não restam dúvidas que todos estes dados alarmantes devem sensibilizar não somente profissionais da saúde e educação , mas especialmente os responsáveis pelas crianças: OS PAIS
Assim, alertamos que:
- A prevenção da obesidade infantil começa na GESTAÇÃO, onde a gestante deve optar por uma alimentação equilibrada : substituir os carboidratos refinados pelos integrais, diminuir o consumo de doces e aumentar o de hortaliças e frutas em detrimento dos produtos refinados e ricos em gorduras;
- Inúmeros estudos comprovam que o aleitamento materno EXCLUSIVO é a melhor e mais completa alimentação para o bebê nos primeiros 6 meses de vida ( a Organização Mundial de Saúde recomenda até os 2 anos de idade) e que a introdução precoce de fórmulas infantis e outros alimentos favorece a obesidade infantil em famílias geneticamente propensas;
- Durante e após o período do desmame, os pais incentivem o consumo de carboidratos de baixo índice glicêmico como frutas e grãos integrais variados, em detrimento de açúcares e excesso de farinhas refinadas (cuidado com o enriquecimento do leite com farináceos a base de trigo, cevada, arroz , muitas vezes ricos em gordura e açúcar);
- Neste mesmo período, os pais incentivem que seus filhos se acostumem com o sabor doce natural dos alimentos ( sucos de frutas que não necessitem de açúcar como laranja, melancia, abacaxi doce, uva e alimentos adocicados como cenoura, abóbora japonesa, beterraba, batata doce, batata yakon) em detrimento de doces, balas, refrigerantes ou sucos com açúcar;
- O cardápio da criança deve ser diversificado e equilibrado, incluindo preparações criativas especialmente com relação às hortaliças e frutas . Muitas vezes não é a criança que rejeita este grupo de alimentos, mas são os pais que diante de uma primeira recusa, deixam de oferecer o alimento. É imperioso que o estímulo persista através de outras formas de preparação. Exemplos: sopas, cremes, souflês, sucos com frutas e hortaliças, acrescentar legumes no arroz ou no hambúrger caseiro feito com carne magra ou proteína de soja , introduzir a farinha de trigo integral e a aveia nos bolos e biscoitos caseiros, etc;
- A forma de apresentação e oferta também é muito importante na boa aceitação de alimentos de maior rejeição. Assim, faça ‘carinhas’ ou desenhos com os alimentos no prato, brincando com as cores vibrantes veremelho, verde e amarelo;
- Guloseimas, salgadinhos, biscoitos e doces são muito apreciados pelas crianças e incentivados pelas indústrias e mídia. Nem sempre conseguimos evitar que as crianças comam estas guloseimas.
Três dicas importantes:
1) Qualidade nutricional (evite guloseimas confeccionadas com gordura trans, fritas ou muito doces e prefira aquelas preparadas com cereais integrais, com pouca gordura e açúcar;
2) Quantidade de consumo ( permitir que a criança coma guloseimas de forma moderada, estalecendo quantidades: por exemplo, 5 rosquinhas integrais; 1 barrinha de cereal ; 1 bala com mel , etc ) e
3) Disciplina é fundamental : não permita que a criança fique com o pacote de biscoitos ou outra guloseima nas mãos ou que ela os consuma na frente da televisão ou computador; estabeleça horários e frequência, como por exemplo, após o almoço, 1 vez por semana;
- Refeições em família durante a infância e adolescência são fundamentais para os bons hábitos alimentares e maior qualidade de vida na fase adulta;
- Horários e rotina para a alimentação são fundamentais. A criança deve se alimentar em lugar calmo, arejado e limpo. A alimentação feita de forma rápida, com barulho e/ou em frente à televisão favorece que as crianças comam mais que o necessário, dissociando-se o prazer à mesa;
- Pais devem ser exemplos! Não adianta os pais insistirem que seus filhos comam alimentos saudáveis quando eles mesmos não o fazem durante as refeições;
- A escola também tem o dever de oferecer merendas ou lanches saudáveis . Se houver terceirização do serviço (lanchonetes, restaurantes ou cantinas) , a direção tem a responsabilidade de promover a venda de alimentos que não comprometam a saúde de seus alunos;
- O estímulo à prática de atividades físicas deve ser constante , e que respeitar as preferências da criança incentiva-as à regularidade. Ou seja, não é porque o pai adora futebol que seu filho deve ir pelo mesmo caminho;
- A reeducação alimentar da família é o caminho mais fácil e menos oneroso para a prevenção/combate da obesidade infantil !
Fontes e Referências bibliográficas:
1) Cecília L. de Oliveira e Mauro Fisberg. Obesidade na infância e adolescência – uma verdadeira epidemia.
Arq Bras Endocrinol Metab vol.47 no.2 São Paulo Apr. 2003.
2) Ctenas, Maria L.B. Crescendo com Saúde 2 :guia de nutrição infantil. Editora e Consultoria em Nutrição, 2003.
3) http://www1.ibge.gov.br
4) Vitolo, Marcia Regina. Nutrição: da Gestação à adolescência. Reichmann & Afonso Editores, 2003.
Temas relacionados:
Obesidade infantil : http://www.patriciaspada.psc.br
Refeições em família : http://www.ehnutri.com.br/art_emfamilia.php
<<< Voltar