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   SÍNDROME PRÉ-MENSTRUAL
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Por: Dra. Danielle Braga - Nutricionista

Os sintomas mais frequentemente relatados por grande parte das mulheres no período pré-menstrual são: irritabilidade, cansaço, depressão, cefaléia, mastalgia (dor nas mamas) e dores no abdôme, pernas e costas.

Os critérios para diagnóstico da síndrome pré-menstrual são:

- aumento de 30% na intensidade dos sintomas da síndrome entre os dias 5 a 10 do ciclo, antes da menstruação;

- comprovação dessas mudanças em um diário de sintomas por, pelo menos, dois ciclos consecutivos;

- pelo menos um dos seguintes sintomas somáticos e emocionais durante os 5 dias anteriores à menstruação em cada um dos três ciclos anteriores:


* Sintomas Emocionais: depressão, explosão de raiva, irritação, ansiedade, confusão, isolamento social, disforia;

* Sintomas Somáticos: dor abdominal, mastalgia, enxaqueca, edema nas extremidades;

* Alívio dos sintomas entre os dias 4 e 13 do ciclo menstrual.


A fadiga tem sido atribuída à ocorrência de hipoglicemia, alteração no equilíbrio das prostaglandinas e disfunção tireoidiana. Já a depressão tem sido associada à deficiência de vit. B6 e serotonina. A enxaqueca, associada a um distúrbio na transmissão serotoninérgica e a mastalgia pode ser conseqüência da elevação nos níveis de prolactina.

Tratamento sugerido: terapias de relaxamento, descanso adequado, prática de atividade física aeróbica regular, mudanças dietéticas e suplementação alimentar. Tudo vai depender da intensidade dos sintomas.

Nesta fase, muitas mulheres apresentam aumento no consumo de carboidratos, principalmente os simples (sacarose) em comparação ao período pós-menstrual. Estudos demonstram que os níveis de serotonina em mulheres com síndrome pré-menstrual são mais baixos do que em mulheres saudáveis.

Além disso esses sintomas podem ser agravados na deficiência de triptofano, um aminoácido precursor do neurotransmissor serotonina, que para ser transportado para o cérebro precisa de nutrientes que influenciem a sua disponibilidade cerebral. Assim, a ingestão de triptofano ou de alimentos que aumentem sua disponibilidade para os neurônios serotoninérgicos poderá estimular a taxa de conversão em serotonina.

Como a suplementação de triptofano não é indicada, podemos utilizar os alimentos fontes de triptofano como arroz integral (90mg/100g), pão integral (60mg/100g), leite ( 50mg/100g), tâmaras (49mg/100g), iogurte (45mg/100g), soja (45mg/100g), nozes (45mg/100g), lentilha (25mg/100g), entre outros. A ingestão de carboidratos também estimula a passagem do triptofano pela barreira hematoencefálica, por isso muitas mulheres apresentam um aumento na vontade de consumir carboidratos neste período, provavelmente relacionado à necessidade de aumentar o triptofano no sangue, com o consequente aumento na síntese de serotonina e melhora do humor.

Porém, o consumo excessivo de carboidratos (CHO) simples tem sido associado com distúrbios de humor, edema e fadiga. Dessa forma, deve-se priorizar o consumo de CHO integrais. É recomendado que nesse período as mulheres consumam refeições pequenas e freqüentes, ricas em CHO integrais com o objetivo de reduzir a tensão e depressão.

Suplementos (utilizados durante a fase lútea- 2ºmetade do ciclo):

Vitamina B6: atua como co-fator na formação da serotonina, sendo utilizada para obter resultados benéficos sobre as alterações de humor. E baixos níveis de B6 levam a altos níveis de prolactina, causadora de edema e sintomas psicológicos. As suplementações tem sido de 10 a 50 mg/dia .O consumo de suplementos de B6 têm promovido alívio geral dos sintomas, além de diminuir a depressão associada.

Vitamina E: Pode aliviar os sintomas, como ansiedade e sensibilidade mamária, por meio de seus efeitos na síntese de prostaglandinas ou na regulação dos neurotransmissores centrais. A dose de 400 UI promoveu melhoras de sintomas emocionais e somáticos, e sobre a mastalgia durante a fase lútea.

Cálcio: observou-se quantidades menores de cálcio no sangue (hipocalcemia) de mulheres que têm a síndrome pré-menstrual em relação àquelas assintomáticas. Há uma similaridade entre os sintomas dessa tensão e da hipocalcemia: fadiga, ansiedade, depressão, distúrbios de personalidade, irritabilidade, obsessão, entre outros. Dessa forma a suplementação de cálcio também pode ser efetiva no tratamento da síndrome pré menstrual, em cerca de 1000mg/dia de carbonato de cálcio.

E após o 3º ciclo já se observam melhoras significativas dos sintomas de depressão, retenção de líquidos, dores e compulsão alimentar. É importante observar que a síndrome pré menstrual pode ser um indicador clínico dos baixos níveis endógenos de cálcio e risco aumentado de osteoporose em mulheres jovens. Até mesmo porque mulheres em idade fértil têm apresentado um consumo de cálcio bem abaixo do que a recomendada, entre 607 e 809 mg/dia.

Magnésio: outro importante mineral também envolvido na atividade da serotonina e de outros neurotransmissores, na contração vascular, na função neuromuscular e na estabilidade da membrana celular; sua deficiência poderá influenciar a síndrome pré menstrual por diversas vias. O cuidado que se deve ter com a suplementação é não ultrapassar 350mg/dia, para que não cause efeitos colaterais como diarréia osmótica. Em doses seguras ele pode ser um importante coadjuvante no tratamento da síndrome.

Manganês: Estudos observaram que mulheres com baixo consumo de manganês apresentam mais sintomas de mau humor e dor. Dessa forma, embora a suplementação ainda não tenha sido reconhecida, alguns trabalhos sugerem que 6 mg/dia pode ser eficiente.

Ácidos graxos de cadeia longa: após a ingestão do ácido graxo ômega 3, ele sofre reações de desnaturação e é elongado para formar ácidos graxos de cadeia longa com 20 e 22 carbonos altamente insaturados – EPA e DHA, e ao final dessas reações a formação de prostaglandinas antiinflamatórias, entre outras funções. Para essa conversão alguns nutrientes como o magnésio, piridoxina (B6), zinco, niacina (B3), e ácido ascórbico (vit.C) não podem faltar.

Muitas mulheres com deficiências nessa conversão não conseguem transformar o ácido linoléico a ácido gama-linolênico. Por isso alternativas como o óleo de prímula, rica no ácido graxo gama linolênico tem sido indicado para redução dos sintomas da síndrome menstrual. As recomendações variam de 3 a 6 g /dia, tomando - se o cuidado que o uso a longo prazo pode estar relacionado com risco de inflamação, trombose e imunossupressão.

O óleo de borrage também tem sido utilizado em substituição ao óleo de prímula pois é mais rico em ácido gama linolênico, porém com os devidos cuidados porque essa planta apresenta um alcalóide tóxico que pode contaminar o óleo.

Outras recomendações:

Redução no consumo de sal, açúcar, cafeína, produtos lácteos e álcool pode ajudar na diminuição da retenção de líquidos, irritabilidade e cólicas.

A prática regular de exercícios aeróbicos também está associada a menores chances de tensão pré-menstrual, pois este aumenta os níveis de endorfinas associados com melhora de humor. Os efeitos são maiores após o terceiro ciclo.

CONCLUSÃO: a suplementação dietética pode ser de grande valor na redução dos sintomas da síndrome pré menstrual, especialmente quando os sintomas são mais leves e não necessitam de terapêutica farmacológica. Modificações positiva nos hábitos alimentares e estilo de vida podem ser considerados como os primeiros tratamentos para a síndrome. Quando não for possível a manutenção de dietas nutricionalmente completas, o uso de suplementos de vitaminas e minerais pode ser fazer necessário para o controle dos sintomas.

Ressalta-se que a prescrição de suplementos nutricionais são de responsabilidade do nutricionista e devem ser avaliados com bastante critério caso a caso.


Referência Bibliográfica:

Paschoal, V e Fonseca, A.P.B.L. Sindrome Pré Menstrual. Tratado de Alimentação, Nutrição e Dietoterapia. Ed Rocca, 2007.

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